NOTÍCIA
Legislação incorpora novos dispositivos de segurança
 
 
 
 
13/06/2011

Num ano marcado pela expansão na demanda de implementos rodoviários, especialistas do setor apontam as implicações relacionadas à nova regulamentação do Conselho Nacional de Trânsito (Contran)

Impulsionadas pela expansão na demanda de transporte de cargas, as vendas no setor de implementos rodoviários têm registrado forte crescimento desde 2010. Somente no primeiro quadrimestre deste ano, a produção de reboques e de semirreboques aumentou mais de 13% em relação ao mesmo período do ano anterior, segundo levantamento realizado pela Associação Nacional de Fabricantes de Implementos Rodoviários (Anfir). A pesquisa da entidade constata que as vendas de carrocerias sobre chassi, por sua vez, registraram um aumento de cerca de 28%.

Uma análise dos dados divulgados pela Anfir revela que os implementos mais utilizados pela construção civil figuram entre os principais responsáveis pelo bom desempenho do setor (veja quadro abaixo). No período analisado pela entidade, as vendas de caçambas basculantes, por exemplo, cresceram 43% em comparação com o primeiro quadrimestre do ano passado, saltando de 4.421 para 6.332 unidades. No caso das betoneiras, a demanda quase triplicou, com a comercialização de 905 unidades.

Apesar desse resultado alimentar o otimismo dos fabricantes de implementos, eles se monstram preocupados com fatores que podem mudar o cenário no curto prazo. Entre eles se incluem recentes mudanças na legislação de trânsito e uma possível redução de crédito para compra desses equipamentos. “Como os implementos rodoviários são bens de capital, mais de 80% das unidades comercializadas no Brasil são adquiridas com financiamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES)”, diz Rafael Wolf Campos, presidente da Anfir.

Custo dos desenvolvimentos
Campos se refere à prorrogação da isenção do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), uma medida que estimulou esse mercado em 2010 e, após o vencimento de seu prazo, foi suspensa em fevereiro último para ser novamente adotada até dezembro próximo. Uma das novas resoluções do Conselho Nacional de Trânsito (Contran) diz respeito à obrigatoriedade de protetores laterais nos implementos, algo que ficou conhecido no setor como “proteção de ciclistas”. Segundo os especialistas, essa adaptação pode aumentar o custo dos implementos em até 4%, principalmente no caso dos equipamentos menores, de até 12 t de Peso Bruto Total (PBT).

Rapidez e segurança
Nem todas as resoluções adotadas recentemente pelo Contran, entretanto, chegam para dificultar a vida dos fabricantes de implementos rodoviários e dos usuários desses equipamentos. A padronização do engate rápido, popularmente apelidado de “mão de amigo”, é um exemplo dos benefícios proporcionados pela legislação. “Agora, todos os engates de implementos devem ter 15 pinos, de modo que os seus componentes elétricos e os acionados à base de ar comprimido sejam facilmente plugados aos sistemas dos cavalos-mecânicos”, diz Campos, traçando uma similaridade dessa padronização com o novo padrão brasileiro de tomadas.

Outra novidade que deve vigorar a partir de 2013 é a obrigatoriedade de uso de freios ABS nos implementos rodoviários. A proposta do Contran é que a medida seja adotada em 40% da produção, já a partir do primeiro ano de regulamentação, abrangendo 100% dos implementos no ano seguinte. “Estamos pleiteando pequenas mudanças no prazo de implantação, mas acreditamos que essa resolução aumentará o nível de segurança nas operações”, diz Campos. Ele destaca que não adianta o caminhão ser equipado com essa tecnologia se o implemento também não tiver ABS, pois se o reboque ou semirreboque não freia, ele empurra o caminhão e expõe todo o conjunto a risco de acidente.

Se a normatização para o Anti-Lock Braking System – que é o significado em inglês para o sistema ABS – nos implementos rodoviários realmente exigir que todos os equipamentos saiam de fábrica equipados com a tecnologia a partir de 2014, as estradas brasileiras e até as operações fora-de-estrada poderão registrar menores índices de acidentes. Afinal, o Contran também passará a exigir a utilização de freios ABS nos caminhões a partir de 2013.

Tomada de força
Diferentemente do que ocorre com os dispositivos relacionados à segurança na operação, como a utilização de freios ABS e as adaptações para “proteção de ciclista”, os órgãos de trânsito não regulamentam a implementação de caminhões no que se refere à tomada de força dos motores diesel. De caçambas basculantes a betoneiras, a maioria desses equipamentos é acionada pela potência do motor do veículo portador, o que influencia diretamente no seu desempenho em termos de velocidade de deslocamento e consumo de combustível.

A tomada de força pode adotar três configurações distintas, sendo que uma delas envolve o acoplamento diretamente na embreagem, ou seja, entre a o motor e a caixa de cambio do caminhão. Essa solução, de acordo com Alex Neri, engenheiro de vendas da Scania, permite o acionamento do implemento mesmo quando o veículo está em movimento. “A operação de betoneiras ilustra perfeitamente essa aplicação”, diz ele.

A segunda configuração possível envolve a tomada de força com ligação direta na caixa de câmbio, estratégia indicada pelas montadoras de caminhões para o acionamento de implementos que funcionam somente quando o veículo está parado. É o caso clássico das caçambas basculantes e de implementos especiais, como o dumpcret, utilizado para o transporte de concreto.

“Por último, há a tomada de força ligada diretamente ao motor, uma solução já em desuso no caso dos implementos mais utilizados em construção”, diz Neri. Ele explica que esse tipo de acionamento ainda é adotado em outras aplicações, dependendo do circuito hidráulico a ser utilizado. “Quando há uma demanda excessiva de consumo de energia do veículo, por exemplo, é possível projetar a tomada de força para o acionamento de um alternador adicional, mas, em geral, essa solução é bem pontual”, ele conclui.

 
 


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